São Mateus – O sonho de cursar Medicina sem precisar deixar São Mateus para trás tornou-se realidade para uma nova geração de estudantes. Desde segunda-feira (10), o município passou a contar oficialmente com o curso de Medicina do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Entre os primeiros alunos da graduação estão três jovens mateenses que carregam histórias diferentes, mas compartilham a emoção de fazer parte da primeira turma do curso: Lorrayne Ribeiro do Nascimento, Evilyn Teixeira Ferreira e Eduarda Baião Cunha.
Filhas e filhos de trabalhadores, as três jovens representam não apenas a chegada de uma nova graduação à cidade, mas também a realização de um sonho que, durante anos, parecia exigir uma mudança para outras regiões.
Lorrayne, de 20 anos, é filha dos lavradores Jaime do Nascimento e Josilene Ribeiro do Nascimento, moradores do Km 23. Antes de conquistar a vaga no Ceunes, ela já havia tentado ingressar em Medicina em universidades como a Federal de Minas Gerais (UFMG) e a própria Ufes, em Vitória.
A aprovação teve um significado especial justamente pela possibilidade de permanecer perto da família.
“É uma conquista muito grande porque a gente nunca imagina que vai passar. É um orgulho ter passado, ainda mais com o curso estando abrindo agora, sabendo que tão poucas pessoas daqui da cidade passaram. É um orgulho muito grande”, afirma.
Aos 18 anos, Evilyn Teixeira Ferreira também integra a primeira turma. Filha dos produtores rurais Cláudio Ferreira e Rosânia Teixeira Ferreira, moradores da comunidade quilombola de Divino Espírito Santo, ela conquistou a vaga utilizando a nota do primeiro Enem que realizou, em 2025.
“Eu acho isso muito gratificante. Me sinto orgulhosa também porque eu não imaginava isso. E minha família também ficou muito feliz, muito alegre”, conta.
Já Eduarda Baião Cunha, de 20 anos, moradora de Guriri, é filha do carteiro Eduardo Ferreira e da professora Giane Baião. Para ela, a implantação do curso em São Mateus tornou possível realizar o sonho sem que a família precisasse arcar com os custos de uma mudança para outra cidade.
“É uma realização muito grande, porque é um sonho meu juntamente com a minha família. A gente ia ter que acabar mudando para fazer o curso e teria um custo de vida um pouco elevado. Com a chegada do curso, acabou facilitando as coisas e tornou mais possível a realização desse sonho”, afirma.
As histórias de Lorrayne, Evilyn e Eduarda se encontram justamente no momento em que São Mateus inicia uma nova etapa na formação médica. Para além da conquista individual de cada estudante, a chegada do curso representa uma oportunidade para que jovens da região possam construir uma carreira na Medicina sem precisar se afastar de suas famílias e de suas origens.
Segundo o Ceunes, há ainda um quarto morador de São Mateus na primeira turma, mas ele não foi localizado pela reportagem.
Agora, as três jovens começam uma trajetória que ficará marcada na história do município: são parte da primeira turma de Medicina de São Mateus, transformando em realidade um sonho que, até pouco tempo, parecia depender de uma mudança para longe de casa.

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